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Graduação a distância quase dobra no Brasil em um ano13/05/2009A educação a distância é a modalidade que mais cresce no ensino superior brasileiro. Em 2008, o número de estudantes de graduação chegou a 760.599, um aumento de 91% em relação a 2007. Nos últimos quatro anos, de 2004 a 2008, o salto foi de 1.175%. E, embora os cursos à distância atendam o equivalente a apenas um sexto dos alunos presenciais, eles avançam num ritmo de fazer inveja às faculdades tradicionais.

O dado mais recente do Ministério da Educação relativo a cursos presenciais é de 2007, quando havia no país 4,8 milhões de estudantes. Na comparação com o ano anterior, isso representa crescimento de 4,4%. No período 2004-2008, as matrículas presenciais aumentaram meros 17%. "O ensino a distância democratiza o acesso ao ensino superior", diz o secretário de Educação à Distância do MEC, Carlos Bielschowsky.

O presidente da Associação Brasileira de Educação a Distância, Fredric Michael Litto, aposta que esta modalidade é o caminho para a expansão do ensino superior. Ele lembra que só 12% dos jovens de 18 a 24 anos estão na universidade, índice inferior a países como Argentina, Chile e até mesmo Bolívia. "A educação a distância representa uma possibilidade de mudar esse quadro, saltando dos 12% ou 13% atuais de cobertura para 20% ou 25%", diz Fredric, professor aposentado da Universidade de São Paulo (USP).

Eficácia

Entre as vantagens do ensino a distância estão a possibilidade de levar cursos de graduação a municípios onde não há professores, a flexibilidade de horários e o valor mais baixo das mensalidades. Em contrapartida, disciplina e motivação dos alunos precisam ser maiores.

Bielschowsky e Fredric dizem não duvidar da eficácia, em termos de aprendizagem, dos cursos a distância. Ao cruzar resultados do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade), substituto do Provão, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) constatou que alunos a distância tiraram, em média, notas mais altas do que os colegas de cursos presenciais. Isso ocorreu entre formandos de Administração e Matemática.

Qualidade

Mas nem tudo funciona. Entusiasta das novas tecnologias, o secretário Bielschowsky quer evitar a proliferação de cursos de baixa qualidade e deu início à supervisão das universidades que oferecem a modalidade. Desde 2008, 23 instituições entraram na lista de fiscalização de 320 professores que percorrem o país para avaliar in loco o ensino ofertado. O resultado é a assinatura de termos de compromisso, com prazo de um ano para melhorias. Entre os principais problemas estão deficiências na avaliação, falta de contato dos alunos com professores, baixa qualidade do material didático e o número excessivo de estudantes por docente. Enquanto a média internacional é de 130 alunos por mestre, o MEC descobriu cursos nos quais a proporção superava mil por l.

O presidente da Associação Nacional de Universidades Particulares (Anup), Abib Salim Cury, apoia a cobrança de mais qualidade, mas critica a falta de diálogo com o setor e culpa o governo pelo descontrole: "Largaram ao Deus dará. Tem de botar ordem no galinheiro, só que agora fica mais difícil. Como sempre, começaram a agir sem diálogo, contra as boas (instituições) e as ruins."


Fonte: Agência Globo
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