Mestrado e Doutorado no Brasil: estamos formando pesquisadores ou inflando currículos?
23/02/2026
Por Enilton F. Rocha
A discussão não é nova. Mas continua atual e incômoda.
Desde a criação da CAPES, Decreto 29.741/51, de 11/07/1951, o sistema de pós-graduação brasileiro oscilou entre avanços estruturais importantes e contradições difíceis de ignorar: concepção formativa, propósito curricular e, principalmente, conexão (ou falta dela) com o setor produtivo.
Entre 2019 e 2022, coordenando dois grupos independentes de estudo sobre a oferta de mestrado e doutorado EaD no Brasil, um deles com pesquisadores estrangeiros, mergulhei em dados nacionais e internacionais. O que descobrimos foi desconfortável.
Alguns pontos que emergem em destaque:
1) Há resistência social quanto ao processo formativo de muitos programas e sua aderência à realidade brasileira.
2) Predomina uma cultura acadêmica endógena. Forma-se, majoritariamente, para a docência. O ciclo se retroalimenta: orientador forma orientando que retorna à mesma lógica institucional.
3) Em alguns casos, o “capital simbólico” do orientador pesa mais que o percurso formativo. Criam-se círculos fechados de produção, com pensamento excessivamente coeso — e pouco tensionado.
4) O sistema de avaliação e financiamento prioriza volume. Resultado? Lattes hipertrofiados, muitos artigos publicados e pouco impacto percebido pela sociedade.
5) Cresce a corrida por periódicos — nem todos com padrões éticos e científicos robustos.
Quando comparamos com países onde a pós-graduação dialoga diretamente com inovação, indústria e desenvolvimento econômico, a distância é evidente. Aqui, ainda são poucos os projetos stricto sensu com forte integração ao mundo produtivo.
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