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Tecnologia e Andragogia: aliadas na educação a distância Tema: Gestão de Sistemas de Educação a Distância 23/11/2005

Tecnologia e Andragogia: aliadas na educação a distância Tema: Gestão de Sistemas de Educação a Distância

Rita de Cássia Guarezi Gomes
Laboratório de Ensino a Distância UFSC
Email: rita@led.ufsc.br

Silvana Pezzi
Laboratório de Ensino a Distância UFSC
Email: spezzi@led.ufsc.br

Ricardo Miranda Bárcia
Laboratório de Ensino a Distância UFSC
Email: barcia@led.ufsc.br



(Texto para download: Formato Word (.DOC))

Resumo

Este artigo discutirá a importância das diretrizes andragógicas aliadas as novas tecnologias nos cursos a distância. A avaliação formativa, o processo de comunicação e interação, a mediatização dos conteúdos e o sistema de preparação e acompanhamento de alunos e professores são também destacados e discutidos como importantes aspectos a serem considerados no planejamento de cursos nesta modalidade de ensino. Apresenta-se ao final uma experiência do Laboratório de Ensino a Distância da UFSC. Conclui-se enfim, que a preocupação com a aprendizagem do aluno adulto em cada passo dado no sentido de construir ambientes de ensino é fundamental para o sucesso de um curso a distância.

Palavras-chave: Andragogia, Tecnologia, Educação a Distância, comunicação

1. Introdução

Acredita-se que qualquer ação educacional, não importando a modalidade de ensino, deva partir inicialmente de uma abordagem educacional clara que direcione qualquer decisão a ser tomada dentro de um curso. Na escolha da abordagem vários aspectos devem ser observados para que todos os envolvidos possam trabalhar de forma coletiva, dentro de um norte comum.

Práticas individualizadas têm demonstrado resultados de fracasso. Assim, qualquer organização que faça educação, precisa ter clareza aonde quer chegar, porque e como chegar, para que os esforços sejam conjuntos.

Na educação a distância, entende-se que o avanço das tecnologias possibilitando a integração de mídias, proporcionam variadas possibilidades de estudo ao aluno, atendendo às diferentes formas de aprender. No entanto, é claro que as tecnologias por elas próprias não dão conta de garantir a aprendizagem. Assim a preocupação com a abordagem educacional é fundamental.

Destacar-se-á assim alguns aspectos considerados fundamentais no planejamento de cursos a distância.

2. Aprendizagem do aluno adulto

Na EAD não há uma concepção de educação específica, então é necessário investigar o que mais se adequaria em termos de orientação de aprendizagem para alunos adultos, que é a maior demanda da EAD e a formação do indivíduo como um todo, para os dias atuais.

Pode-se dizer que uma teoria única não apresenta respostas a todos os desafios postos na contemporaneidade, mas diretrizes claras embasadas na pluralidade das teorias que buscam construir um homem sujeito do processo educacional pode ser o caminho para aqueles que querem pensar, inovar e desenvolver Educação a Distância.

Entende-se que os princípios da andragogia e as teorias que sinalizam uma pedagogia voltada para o aluno estão trazendo maiores contribuições no trabalho com alunos adultos, principalmente na educação a distância, e estão mais adequadas ao tipo de indivíduo e sociedade atual, pois elas sugerem um indivíduo ativo e autônomo.

Nesse entendimento de mudar, Knowles (1977 p.21) diz que "A teoria da aprendizagem de adultos apresenta um desafio para os conceitos estáticos da inteligência, para as limitações padronizadas da educação convencional...".

O grande educador brasileiro Paulo Freire, que dedicou a maior parte de seus escritos à educação de adultos, compactua desse pensamento, pois posiciona-se contrário às concepções tradicionais imobilistas.

Sendo que o público-alvo da EAD é predominantemente adulto, então entender melhor como este aluno aprende é fundamental.

Para Knowles (1998), houve poucas pesquisas e trabalhos escritos sobre a aprendizagem de adultos. O autor salienta ainda, que isso é surpreendente devido ao fato de todos os grandes mestres da antigüidade ‚ Confúcio e Lao Tse, os profetas hebreus e Jesus nos tempos bíblicos, Aristóteles, Sócrates e Platão na Grécia antiga e Cícero, Evelide e Quintiliano na Roma antiga, eram todos professores de adultos, não de crianças. Assim, eles desenvolveram um conceito de ensino-aprendizagem bem diferente daquele que dominou a educação formal. Eles entendiam a aprendizagem como um processo de investigação mental, não como recepção passiva do conceito transmitido.

Foi na Europa no século 7, que as escolas organizadas para ensinar crianças desenvolveram um conjunto de suposições sobre a aprendizagem e as estratégias de ensino que acabaram sendo conhecidas como "pedagogia", significando literalmente a arte e ciência de ensinar crianças. Este modelo de educação perdurou e é a base de nosso sistema educacional.

Quanto à aprendizagem de adultos, segundo o autor, logo após o fim da primeira guerra mundial, tanto nos Estados Unidos como na Europa, começou a emergir um corpo crescente de noções sobre as características peculiares dos estudantes adultos. Mas só nas últimas décadas, essas noções evoluíram para um framework integrado de aprendizagem de adulto.

Conforme Knowles (1998), duas linhas de investigação se desenvolveram logo após a fundação da Associação Americana para a Educação de Adultos em 1926. Uma linha pode ser classificada como linha de pesquisa científica e a outra a linha artística intuitiva/reflexiva. A primeira busca descobrir um novo conhecimento por intermédio de rigorosa investigação e foi lançada por Edward Thordike, com a publicação de "Aprendizagem Adulta" em 1928. Seus estudos demonstraram que os adultos podiam aprender e isso foi importante, porque forneceu uma fundamentação científica para um campo que tinha sido baseado na mera crença de que adultos podiam aprender. A linha artística, por outro lado, que busca descobrir novos conhecimentos por intuição e análise da experiência, estava preocupada em como o adulto aprende. Esta linha de investigação foi lançada com a publicação de "O significado da Educação de Adultos" de Eduard C. Lindeman em 1926, fortemente influenciada pela filosofia educacional de John Dewey (1).

Lindeman apud Knowles (1998) fundamentou a teoria sistemática sobre a aprendizagem de adultos com declarações como estas:

- "... a abordagem à educação de adultos seguirá pela via de situações, não de assuntos. ... Na educação convencional exige-se que o estudante se ajuste a um currículo estabelecido; na educação de adultos o currículo é elaborado ao redor das necessidades e interesses do estudante. Textos e professores desempenham um novo e secundário papel nesse tipo de educação; eles têm que dar importância primária aos estudantes".(p.8-9).

- "...o recurso mais valioso na educação de adultos é a experiência do estudante. Muito da aprendizagem se consiste da substituição delegada da experiência e conhecimento da outra pessoa. ...A experiência é o livro da vida do estudante adulto".(p.9-10).

- "O ensino autoritário, testes que barram o pensamento, fórmulas pedagógicas rígidas ‚ todas essas coisas não têm lugar na educação de adultos. ...adultos que desejam manter suas mentes estimuladas, que começam aprender pelo confronto de situações pertinentes, que exploram suas experiências antes de recorrer a textos e fatos secundários, que são conduzidos na discussão por professores que também buscam a sabedoria e não oráculos: isto constitui o estabelecimento da educação de adulto, a moderna indagação para o significado da vida (p.10-11).

- "A teoria de aprendizagem de adultos apresenta um desafio para os conceitos estáticos da inteligência, para as limitações padronizadas da educação convencional e para a teoria que restringe as facilidades educacionais a uma classe intelectual. ... A educação de adultos é uma tentativa de descobrir um novo método e criar um novo incentivo para aprender, suas implicações são qualitativas, não quantitativas. Os estudantes adultos são justamente aqueles cujas aspirações intelectuais são menos prováveis de serem despertadas pelas instituições de aprendizagem convencionalizadas, rígidas e inflexíveis".(p.17-18)

- Enfim, o autor conclui que: "a aprendizagem é um processo pelo qual o adulto aprende a tornar-se consciente e avaliar sua experiência. Para fazer isso ele não pode começar pelo estudo de ëassuntosí na esperança que algum dia esta informação será útil. Em resumo minha concepção de educação para adultos é esta: uma aventura cooperativa na aprendizagem informal e não autoritária, com o propósito principal que é descobrir o significado da experiência, uma técnica de aprendizagem para adultos que faz a educação relacionar-se com a vida". (p.22)
Conforme Knowles (1998), esses trechos do teórico pioneiro da educação de adultos são fundamentais para retratar um modo novo de pensar a respeito da aprendizagem de adultos. E mostrar que, por mais de quatro décadas, foram desconsiderados os esforços para formular uma teoria que considera o que se sabe da experiência e pesquisas sobre as características peculiares dos estudantes adultos. Somente em 1960, num workshop em Boston, apresentou-se o termo andragogia, que significava a "arte e a ciência de ajudar os adultos a aprender" e foi, segundo o autor, a antítese do modelo pedagógico.

Considerando os aspectos-chave de Lindeman, que foram apoiados por pesquisas mais recentes, constituindo hoje a base da educação de adultos, é apresentado por Knowles o modelo andragógico que, diferentemente do modelo pedagógico projetado para o ensino de crianças, possui preceitos enfocados na educação de adultos:
1 Os adultos são motivados a aprender quando possuem necessidades e interesses que a aprendizagem satisfará; então, estes são os pontos de partida apropriados para organizar as atividades de aprendizagem de adultos.

2 A orientação de adultos para a aprendizagem é centrada na vida; portanto, as unidades apropriadas para organizar a aprendizagem de adulto são as situações da vida, não os assuntos.

3 Experiência é o recurso mais rico para a aprendizagem de adultos, então a metodologia básica da educação de adultos é a análise da experiência.

4 Os adultos têm uma grande necessidade de serem auto dirigidos, então o papel do professor é engajar-se em um processo de mútua investigação em lugar de transmitir o seu conhecimento e então avaliar a adequação deles em relação ao processo.

5 As diferenças individuais entre as pessoas aumentam com a idade; portanto, a educação de adultos deve considerar as diferenças de estilo, tempo, local e ritmo de aprendizagem.
Enfim, o autor confirma que o modelo andragógico é um sistema de suposições que incluem as suposições pedagógicas.

3. A Avaliação

A avaliação certamente não necessitaria vir destacada como um aspecto à parte das diretrizes, sendo que ao definir as diretrizes pedagógicas, automaticamente, estar-se-ia indicando o tipo de avaliação a ser adotado. No entanto, frente à complexidade de sua problemática, resolveu-se salientar sua importância.

Não é possível que se tenha toda uma preocupação com a construção de um ambiente de aprendizagem mais adequado ao perfil do aluno adulto, a diretrizes educacionais inovadoras se, ao final por exemplo, os alunos fossem avaliados tradicionalmente, ou seja, sem possibilidades de reflexão sobre seu aprendizado, sem autonomia para avaliar o processo e, principalmente, sem um feedback dos resultados.

A avaliação não pode ter um fim em si mesma. Deve fazer parte de todo o processo de aprendizagem do aluno de forma a contribuir com sua formação e não simplesmente que lhe dê resultados quantitativos ao final do processo. Ela deve agir como estimuladora do crescimento do aprendiz e de todos os envolvidos em seu processo educacional. Assim, deve-se entender que tudo e todos devem ser avaliados.

Compreende-se, enfim, que a avaliação deva ser propulsora de mudanças, não somente no aluno, mas no professor e na estrutura do modelo de um curso como um todo.

4. O processo de comunicação e a interação

Aposta-se em uma educação onde todos são agentes no processo educacional, então outro aspecto fundamental a se cuidar no planejamento de um curso a distância é a garantia de que a comunicação não seja unidirecional, pois a interação só ocorrerá se efetivarmos a comunicação de "ida e vinda" (Holmberg, 1985)

Conforme Holmberg (1985), a comunicação de "ida e volta" tem propósitos muito importantes para o sucesso de um curso a distância:

- apoiar a motivação e o interesse do estudante;
- apoiar e facilitar a aprendizagem do aluno, trocando com o aluno, comentários, explicações e orientações;
- proporcionar ao aluno a visualização de sua situação e suas necessidades educacionais;
- descobrir deficiências do curso que podem ser modificadas.

Na EAD não se tem a relação permanente face a face entre professores e alunos, que supostamente indicaria maior facilidade de comunicação bidirecional ou multidirecional. Porém, a educação presencial não garante esse tipo de comunicação. Observa-se, por exemplo que, na educação tradicional, a comunicação segue um modelo unidirecional e autoritário. Somente uma educação baseada no diálogo garantiria a troca entre professor/alunos, alunos/alunos.

Assim, pode-se dizer que o processo de comunicação é definido muito mais pela abordagem pedagógica que pelos supostos limites originados pela distância. Segundo Moore (1996), por intermédio das mídias utilizadas, sejam elas material impresso, rádio, televisão, redes de computadores entre outras, é possível conduzir uma comunicação dinâmica entre professores e aprendizes. Tudo dependerá portanto da clareza pedagógica e consequentemente do cuidado no planejamento e elaboração de estratégias que garantam esta comunicação.

Laaser (1997), por exemplo, ao discutir a aprendizagem ativa, enfatiza a importância do planejamento em seus mínimos detalhes na elaboração de todo material didático para garantir o diálogo.
"...os elaboradores devem escrever de modo a estarem, continuamente, conversando com o aluno, em um diálogo amigável e encorajador. Esse diálogo deve incluir aconselhamento a respeito do que fazer e de como fazer, ou seja, deve servir de encorajamento para os alunos, reforço e incentivo". (p.76)
Os modelos desenvolvidos com a utilização de mídias integradas são, portanto, um avanço, pois incorporam múltiplas possibilidades de representações, incorporando o conteúdo com a promoção efetiva do diálogo entre todos os participantes. Essa integração facilita o rompimento com a unidirecionalidade da comunicação tradicional.

Possibilitar, pois, um ambiente de interação e colaboração, no qual o respeito por cada um seja a abertura para o diálogo permanente no processo de construção do conhecimento é, certamente, um desafio a ser enfrentado na tentativa de fazer da EAD um canal aberto que leve o aprendiz a interagir, definindo e redefinindo junto ao professor e demais aprendizes o processo educacional.

Enfim, o entendimento de que sem diálogo não podemos falar de interação, colaboração e de relações cooperativas, deve estar claro e internalizado por todos os envolvidos em práticas educacionais: coordenadores, planejadores, executores, tutores, monitores, professores, alunos; tanto na modalidade a distância, quanto na presencial.

5. A mediatização dos conteúdos

A educação a distância é conduzida por alguém que está afastado do aluno no espaço e na maioria das vezes no tempo. O material didático constitui-se em um meio pelo qual se mediatiza os conhecimentos, o desenvolvimento de hábitos e atitudes de estudo, sem a presença física do professor. Assim, esse material deve oferecer aos alunos condições para a auto-aprendizagem.

Todo tempo e cuidado especial dedicado à elaboração do material é ganho no momento de execução do curso. A apresentação dos conteúdos, atividades e avaliações de forma que o aluno possa acessar e compreender, leva-o a sentir-se satisfeito e seguro em seus estudos, necessitando de menos interferência do professor ou monitoria para sua aprendizagem.

Portanto, é fundamental que a elaboração do material seja realizada em equipe. Não faz sentido a elaboração somente pelo professor, junto a ele é necessário a participação de profissionais das diversas áreas, para que se possa adequar o material didático às peculiaridades do estudo a distância.

6. Sistema de preparação e acompanhamento

A pesquisa demonstrou a necessidade tanto para alunos como para professores da preparação para ensinar e aprender a distância.

Segundo Aretio (1994), são evidentes as diferenças entre o ensino presencial e a distância. Exigindo tanto do professor quanto do aluno novas posturas e conhecimentos.

Portanto, defende-se que em cursos a distância é fundamental desenvolver um sistema de preparação e acompanhamento permanente aos professores e aos alunos, assim como, de toda equipe envolvida (coordenadores, monitores, editores, dentre outros). Todos devem ter clareza das características da Educação a Distância e da abordagem educacional do curso para que as práticas não se tornem individualizadas. Garantindo assim , a ação conjunta em prol da qualidade do curso em todos seus segmentos.

É necessário que se tenha uma equipe capacitada que seja responsável por essa preparação dos professores, dos alunos e dos demais envolvidos. Entende-se que este trabalho se adequa a uma equipe que tenha em sua formação o entendimento da pedagogia e da andragogia, do uso das tecnologias de informação e comunicação em prol da educação, ou seja, de como o aluno aprende e de como as mídias podem viabilizar na EAD esta aprendizagem.

A seguir relataremos a experiência do Laboratório de Ensino a Distância em cursos de Especialização e Capacitação via Internet, no que se refere ao sistema de preparação e acompanhamento .

7. Relato da experiência do Laboratório de Ensino a Distância da UFSC

O laboratório de ensino a distância da Universidade Federal de Santa Catarina, inicia sua experiência com Educação a distância em 1995. Em 1997, inicia sua primeira experiência com cursos por Internet. A partir daí vem consolidando seu modelo em uma abordagem educacional voltada as características do aluno adulto,

Em maio de 1999, o laboratório cria uma equipe para coordenar especialmente os cursos via Internet.

Esta equipe estrutura o sistema de preparação e acompanhamento de alunos e professores para atuação em cursos a distância via Internet. Inicialmente inicia seu trabalho partindo da experiência já vivenciada anteriormente, analisando cuidadosamente todo material e resultado das avaliações realizadas pelos alunos e pesquisando bibliografias afins. Hoje o sistema já validado pela aplicação e avaliação permanente em diversas turmas, está sempre aberto a mudanças sugeridas por alunos e professores e pelas pesquisas constantes realizadas no próprio laboratório e em outras instituições que trabalham com esta modalidade de ensino.

7.1 A Preparação dos professores

A equipe não encontrou na literatura pesquisada, informações precisas, ou pesquisas que indicassem como preparar os professores para ensinar a distância por Internet. O que auxiliou no desenvolvimento de uma proposta nesse sentido, foram as contribuições de como preparar materiais didáticos para a EAD, orientações sobre tutoria, as diretrizes pedagógicas e andragógicas e o feedback dos professores e principalmente dos alunos. Isso nos possibilitou, observar, comparar, analisar o que falhava e o que faltava orientar.

Pôde-se constatar a necessidade do professor em ser orientado tanto por meio de depoimentos espontâneos, como pelos próprios questionários respondidos pelos mesmos. A maioria são professores com vasta experiência docente na modalidade presencial, mas com pouco conhecimento sobre EAD e sobre estratégias de uso das novas tecnologias.

Assim, foi desenvolvida uma proposta que viesse contribuir com a iniciação do professor no ensino a distância.

Nessa proposta, o professor recebe uma orientação inicial e é acompanhado durante todo o processo do curso pela equipe pedagógica, que o auxilia na elaboração do material e na execução de sua disciplina a distância tanto nos aspectos técnicos quanto pedagógicos. Os resultados obtidos têm sido positivos, principalmente comparados a professores que não passaram pela preparação e demostram diversas dificuldades, desde a elaboração do material didático até o atendimento ao aluno a distância por Internet

7.2 A Preparação do aluno

Preocupados com as dificuldades que o aluno apresenta ao se deparar com o desafio de estudar a distância, principalmente porque a cultura de estudo é presencial, a equipe constatou que, por mais bem planejado que seja um curso a distância, seus resultados podem ser desastrosos, quando os alunos não são preparados para estudar nesta modalidade.

Comparando os cursos a distância do LED com e sem preparação, ficou evidente que os alunos que não passaram pelo sistema de acompanhamento inicial demonstraram muitos problemas durante o curso, quando não desistiram.

Assim desenvolveu-se uma disciplina orientada pela coordenadora pedagógica da equipe para preparar e acompanhar o aluno. Para este trabalho utilizou-se mais uma vez as contribuições das orientações da aprendizagem do aluno adulto.

Assim, foi definido que antes de iniciar o curso o aluno precisa ser preparado para aprender a distância.

A partir desta preparação o aluno é acompanhado durante todo o curso por uma equipe composta pelo professor, monitoria e orientação pedagógica e administrativa. Esta equipe atende a todas as dúvidas de conteúdo, dúvidas técnicas e administrativas, assim como faz todo uma trabalho de incentivo para que o aluno esteja motivado aos estudos.

Entende-se que é um trabalho inicial, mas que certamente vem contribuindo para o processo educacional a distância por Internet e dará suporte para o desenvolvimento de novos sistemas de preparação e acompanhamento dos alunos para o estudo a distância.

7.3 Preparação e acompanhamento dos demais envolvidos

Como é importante a preparação dos professores e alunos para o ensino-aprendizagem a distância, também é considerado essencial a preparação de todos os envolvidos em um curso a distância.

Todos precisam ter clareza de seus papéis dentro da abordagem educacional, para que haja comprometimento com a qualidade, seja na revisão, edição e diagramação de um material, no atendimento direto ao aluno ou em qualquer outra atividade desenvolvida em um curso.

Desta forma a equipe estruturou a preparação e o acompanhamento da monitoria.

Os monitores recebem um treinamento inicial onde são orientados sobre

• Educação a distância
• As características do aluno adulto
• A Função da monitoria
• A qualidade no atendimento

Juntamente com o treinamento recebem o guia da monitoria com as principais orientações sobre o trabalho a ser desenvolvido. No processo de monitoramento os monitores são acompanhados pela equipe pedagógica recebendo orientações permanentes, inclusive em dias especiais de estudo.

8. Considerações Finais

Algumas questões, antes ainda obscuras, vieram à tona com maior clareza no decorrer e término deste trabalho. Apresentar-se-á, portanto, alguns entendimentos obtidos na pretensão de colaborar com aqueles que voltam seu olhar para a educação no Brasil e pesquisam as possibilidades da mesma à distância.

• A formação do novo profissional estará requerendo um novo princípio educativo que dê conta de desenvolver capacidades para lidar com a rapidez das mudanças na sociedade da informação. Há que se substituir a abordagem educacional tradicional por uma abordagem que desenvolva competências como aprender a buscar informações, compreendê-la e saber utilizá-la na resolução de problemas. Dessa forma os ambientes de aprendizagem deverão ser desafiadores, interativos e colaborativos.

• Entende-se que as Novas Tecnologias de Informação e Comunicação estão contribuindo para a transformação do aprendizado. Elas abrem outros modos de aprender que não se restringem às escolas e universidades formais. Por meio dessas tecnologias espaços mais abertos se constróem, como o ensino a distância, possibilitando aos profissionais aprender permanentemente, solucionando os problemas de falta de acesso à educação e das dificuldades de estudo em local e horário rígido.

Pode-se dizer, então, que se pode oferecer cursos a distância com qualidade atendendendo às exigências do contexto atual se primarmos por:

- diretrizes educacionais baseadas na educação do adulto;
- avaliação formativa;
- comunicação de "mão dupla" e garantia da interação;
- sistema de preparação e acompanhamento de alunos, professores e envolvidos para o ensino-aprendizagem a distância;
- cuidados especiais com a produção do material didático.

Enfim, a preocupação com a aprendizagem em cada passo dado, no sentido de construir ambientes para ensinar a distância, será fundamental. A equipe que coordena e monitora alunos, os professores e os próprios alunos têm que estar preparados para desenvolverem seus papéis de forma autônoma e colaborativa.

Notas

(1) John Dewey (1859-1952), filósofo, psicólogo e pedagogo norte-americano, influenciou de forma determinante o pensamento pedagógico contemporâneo. Suas obras foram fundadas para que o movimento da Escola Nova tomasse impulso e se propagasse por quase todo mundo. (Campos,1998)


REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

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HOLMBERG, Borje. Educación a distancia: Situación y perspectivas. Argentina: Kapelusz, 1985.

KNOWLES, Malcolm et al. The Adult Learner: TheDefinitive Classic in Adult Education and Human Resourse Development.
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LAASER, Wolfram. Manual de Criação e Elaboração de Materiais para Educação a Distância. Brasília: CEAD. Editora Universidade de Brasília, 1997.

LANDIM, Cláudia Maria das Mercês Paes Ferreira. Educação a Distância: Algumas Considerações. Rio de Janeiro: 1997.
___Cibercultura. São Paulo: Edições34, 1999.

LIBNEO, José C. As mudanças na Sociedade, a reconfiguração da profissão de professor e a emergência de novos temas na Didática. IX Encontro Nacional de Didática e Prática de Ensino. São Paulo, 1998.

LIMA, Lauro de Oliveira. Mutações em Educação segundo Mc Luhan. Rio de Janeiro: Vozes, 1985.

NETO, Francisco José da S. Educação a Distância: Regulamentação, Condições de Êxito e Perspectivas. Artigo Internet. 1998.

MOORE, Michel G. et al. Distance Education: a systems view. Belmont (USA) : Wadsworth Publishing Company, 1996.


Rita de Cássia Guarezi Gomes, Silvana Pezzi, Ricardo Miranda Bárcia



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