TEXTOS EAD (Os textos publicados nesta sessão são de responsabilidade dos autores)

EAD é essencial para a formação de professores no Brasil17/01/2024
Presidência, Vice-Presidência e Diretoria da ABED
Conselho de Ética e Qualidade da ABED
Conselho Científico da ABED

Sobre a necessidade de se ofertar formação de professores em larguíssima escala:

Até 2020, o Brasil formava muito  menos professores do que o necessário nas mais diversas áreas de atuação:

> Biologia (-21,3%);
> Química (-12,8%);
> Ciências Sociais (-11,7%);
> Letras (-10,1%);
> História (-7,5%);
> Geografia (-6%).  

Fonte: Censo do Ensino Superior (INEP/MEC), em comparação ao ano de 2016.
 
Muitas são as pesquisas que já começam a prever um “apagão” de professores da educação básica no Brasil. Segundo pesquisa da FAPESP (com dados do INEP), atualmente, em Pernambuco, por exemplo, apenas 32,4% das docências em física no ensino médio são ministradas por licenciados na disciplina, enquanto no Tocantins o valor equivalente para a área de sociologia é de 5,4%. Há localidades em que não há candidatos inscritos, mesmo repetindo ou prorrogando inscrições para novas vagas.
 
A demanda por formação de professores é tanta, que, de acordo com a lei brasileira, permite-se a oferta de cursos de curta duração para a formação de professores em serviço. Trata-se da Segunda licenciatura e da formação pedagógica para bacharéis, que, em alguns casos, conferem diplomas em 6 meses.
Ao invés de considerar que a EAD não está entregando cursos de qualidade, poderia ser interessante avaliar se os cursos de curta duração estão conseguindo cumprir o seu papel.
 
Sobre a importância de se oferecer formação de professores em cada município do país
 
Professor da educação básica é uma categoria que precisa estar presente em 100% dos municípios brasileiros. Fechar mais da metade das vagas das licenciaturas EAD que atendem mais de 3.000 municípios sem acesso a Ensino Superior presencial vai no sentido oposto ao cenário que se avizinha.
 
Concentrar a formação em programas de graduação exclusivamente presenciais traz um efeito colateral indesejável para o desenvolvimento da educação em um país desigual e com as dimensões continentais do Brasil. Estudantes que saem de seus municípios (principalmente os município menores ou com menos infraestrutura) para estudar em Instituições de Ensino Superior de municípios maiores (aqueles que concentram os cursos presenciais), mesmo que sejam implantados programas de apoio (FIES específico, por exemplo), frequentemente decidem não voltar mais para seus municípios de origem. Consequentemente, forma-se o professor, mas os municípios do interior com pior infraestrutura continuam sem profissionais formados em suas escolas.
 
A questão da dificuldade de se manter durante os estudos e precisar conciliá-los com o trabalho, afazeres tradicionais, cuidado com familiares afeta todos os estudantes com renda limitada, e a maioria dos estudantes de licenciatura e pedagogia na modalidade EAD: em geral, são mulheres de mais idade que trabalham, estudam e têm família, independentemente de morarem em uma cidade grande ou no interior, de serem indígenas ou quilombolas. Este é, provavelmente, o motivo que mais atrai os estudantes de licenciatura e pedagogia para os cursos a distância. Não é à toa que os alunos que optam pela educação a distância são mais velhos, têm menor renda e invariavelmente conciliam seus estudos com o trabalho ou com atividades de cuidado. Simplesmente fechar cursos a distância nos levaria de volta, imediatamente, à situação elitizada de 30 anos atrás, quando somente os alunos ricos dos grandes centros podiam se dar ao luxo de estudar.
 
Sobre acessibilidade 
 
O Brasil tem 18,6 milhões de pessoas com deficiência, são cerca de 8,9% da população, segundo o IBGE, e que correspondem a 0,8% dos estudantes matriculados no Ensino Superior, segundo o último Censo.

Apesar do crescimento contínuo das matrículas dos estudantes com deficiência nos últimos 10 anos, que corresponde a um aumento de quase 200%, ainda há muito o que fazer pela inclusão dos estudantes com deficiência no que diz respeito a garantir não somente o acesso, mas também a permanência e conclusão em um curso superior.
As tecnologias digitais e o avanço da Educação a Distância no país, sem dúvida, contribuem para a melhora destes números, já que, apesar dos desafios na democratização do acesso às tecnologias digitais no país, elas tornam o aprendizado mais acessível, além de possível para uma pessoa com deficiência.

Os avanços da inteligência artificial, por exemplo, têm contribuído para a diminuição das barreiras comunicacionais. O relatório da UNESCO, sobre oportunidades e desafios da inteligência artificial para educação superior, traz vários exemplos ao redor do mundo de como a IA está apoiando a inclusão de pessoas com deficiência a partir da descrição de imagem e legendas em tempo real, tradução em linguagem de sinais, simplificação de textos para pessoas com dislexia ou dificuldade de compreensão.

Recursos de acessibilidade já são utilizados em muitos ambientes virtuais e em materiais como e-books e vídeos, promovendo experiências focadas no Design Universal para a Aprendizagem (DUA), o que favorece o aprendizado multimodal para estudantes que não necessariamente possuam alguma deficiência ou transtorno diagnosticado, mas tenham diferentes estilos e preferências por aprender.

Diante disso, a educação a distância promove ações permanentes que possam não somente acolher e favorecer o processo de aprendizagem, mas também eliminar barreiras arquitetônicas, metodológicas, comunicacionais e atitudinais.
 
Sobre a educação indígena e quilombola

Já os povos indígenas e quilombolas estão, cada vez mais, acessando novos ambientes na sociedade brasileira, em especial a Academia. Entretanto, muitos povos vivem longe das grandes cidades, sem muito acesso a uma educação de qualidade. Os jovens precisam sair de suas comunidades para poderem estudar, mas muitos desistem frente às dificuldades financeiras que invariavelmente enfrentam. Em um contexto como este, o ensino a distância é uma ferramenta fundamental para essas populações, que podem conciliar o ensino com seus respectivos afazeres tradicionais, uma vez que comunidades indígenas do Brasil já têm acesso a Internet. O governo tem providenciado programas que podem melhorar a qualidade de vida e o acesso à Internet. Na comunidade indígena Puyanawa, município de Mâncio Lima, Acre, onde vive um membro do Conselho de Ética e Qualidade da ABED, por exemplo, muitos professores se formaram através do ensino a distância e prosseguiram em cursos lato e stricto sensu, comprovando a qualidade da sua formação e o desejo por seguir com estudos formais. Portanto, a EAD se faz absolutamente necessária e emergente para essas populações que estão, cada vez mais, buscando novos saberes e oportunidades.


CLIQUE AQUI para baixar a versão em PDF


 
Compartilhar:
Copyright - Associação Brasileira de Educação a Distância - ABED