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Ensino híbrido vai ocupar a universidade do futuro09/03/2007

 "Em pouco tempo as universidades brasileiras serão híbridas, misturando o ensino presencial e à distância". A constatação é do docente da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e fundador do Departamento de Informática em Saúde (DIS), Daniel Sigulem, que analisa o contexto brasileiro do ensino universitário brasileiro realizado à distância. Hoje, o país conta com mais de um milhão de estudantes matriculados em disciplinas não-presenciais, além de ser o 11º país no ranking mundial em número de internautas.

Desde 2005, verifica-se aumento substancial - superior a 30% - nas matrículas nos cursos não-presenciais e especialistas apontam para crescimento exponencial nos próximos anos. "O ensino à distância (EAD) representa uma evolução cultural brutal da sociedade e do próprio meio universitário. Em 1986, quando começamos o trabalho na Unifesp, eram pouquíssimos os professores que não nos consideravam loucos", Sigulem.

Por decreto, desde 2005, os cursos não-presenciais respondem ao Ministério da Educação (MEC) e passam por métodos de controle e avaliação para que sejam igualmente válidos ao método tradicional. "A EAD possibilita diversas inovações na forma de ensinar, exigindo mais, inclusive do próprio professor. Ele tem que efetivamente preparar suas aulas e disponibilizar tempo para sanar as dúvidas dos estudantes que, por sua vez, tem mais tempo para estudar e elaborar perguntas mais complexas que requerem mais dedicação do educador", explica Sigulem que acredita que esse tipo de ensino acaba muitas vezes aumentando o contato entre estudante e professor.

Porém, para o pesquisador, os cursos não-presenciais exigem preparo das instituições e reformulação pedagógica do atual modelo universitário do país. "Não é uma simples mudança para o virtual. É preciso investigar tecnologicamente e academicamente como ensinar à distância e quais vantagens podem surgir disso. Ao mesmo tempo, não faz mais sentido reproduzirmos o modelo de ensino que temos hoje e que pouco mudou ao longo dos tempos", observa.

Utilizando como principal ferramenta o computador, cursos à distância exigem responsabilidade, determinação e foco do estudante. "É preciso ser extremamente disciplinado e cumprir o cronograma, ainda que cada um o estabeleça da forma que convém", conta a estudante de Administração à distância na Universidade Virtual Brasileira (UVB), Raquel Oliveira, cujo pólo de apoio na cidade de São Paulo é a Universidade Anhembi-Morumbi.

Divididos em aulas impressas recebidas em formato PDF e aulas digitais via, por exemplo, videoconferência, os semestres, diferentemente da maioria dos cursos presenciais, são temáticos. "Há, no caso do curso de administração, o semestre de Marketing, outro de Responsabilidade Social. Enfim são semestres setorizados, nos quais cursamos disciplinas parte da mesma área", conta Oliveira que muitas vezes acorda às 4:00 horas da manhã para estudar.

Sigulem aponta como prova do avanço em direção ao futuro a criação do programa Universidade Aberta do Brasil, que capacita e oferece especialização a educadores da rede pública, realizando a tão necessária extensão do ensino universitário ao básico. "Esse projeto possibilita a integração entre os campos de saber de forma efetiva e barata. Mas, novamente, é preciso pensar o que queremos com isso. As mudanças estão sendo feitas pensando em qual direção? Não podemos deixar de pensar e investigar o ensino em si que, muito já é o feito ao pensar o próprio sistema e implementação da EAD", pondera.

Preocupada com a garantia do diploma e da qualidade de ensino, Oliveira pesquisou e verificou o parecer do MEC sobre sua instituição e curso. Nesse sentido, Sigulem alerta para a visão mercadológica do sistema. "É preciso regulamentar e verificar os cursos com cuidado e atenção, pois a EAD possibilita formas fáceis para certas universidades e faculdades lucrarem com o ensino. Mas, isso que já ocorre com freqüência implica que questionemos a mentalidade sobre o papel da educação", conclui.


Fonte: Julia Dietrich/Aprendiz
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