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Palestra "O Papel da Sociedade na Conscientização dos
Profissionais para o Desenvolvimento Sustentável"
Clóvis
Cavalcanti - Fundação Joaquim Nabuco
Um ponto de partida para a compreensão do desenvolvimento sustentável é a admissão de que o desenvolvimento consiste em uma questão de valores humanos e atitudes a realizar, de objetivos definidos por sociedades e critérios para determinar o que são custos toleráveis a serem aceitos, e por quem, no processo de mudança que o processo envolve. Isso, mais do que discussões sobre a alocação ótima de recursos, a promoção de competências ou a racionalização de procedimentos administrativos, é que vai dar sentido às escolhas relacionadas com o processo. Amartya Sen considera que o desenvolvimento consiste na remoção de vários tipos de faltas de liberdade (“unfreedoms”, na versão original), as quais deixam as pessoas com pouca escolha e pouca oportunidade de exercitar sua capacidade consciente de ação. É nesse âmbito que entra em cena o fato de que o desenvolvimento implica a realização de certos objetivos de valor que demandam a confrontação de benefícios e custos, e não unicamente o conhecimento de benefícios como os que se exprimem nos valores monetários do produto interno bruto (PIB), total ou per capita, ou nas taxas de aumento dessas variáveis. No caso da preocupação quanto aos problemas ambientais, especificamente, necessita-se de indicadores que incorporem estimativas da degradação e do esgotamento de recursos: índices de desenvolvimento sustentável, algo distinto até mesmo do apreciado índice de desenvolvimento humano (IDH), do Pnud. A questão é saber se a natureza deve ser encarada pelos humanos simplesmente como matéria-prima para a exploração prometéica ou, alternativamente, como o ventre ou a envolvente maior da vida dentro de que eles vivem, se mexem e têm suas realizações, e cujos ritmos e leis devem respeitar. Que postura dominante dos humanos em relação à natureza teria sentido: uma de mineração, de garimpo e manipulativa ou uma outra de busca de harmonia, de uso sóbrio e balanceado dos recursos naturais? Sem dúvida, o conceito de sustentabilidade transcende as regras tradicionais do modelo da economia da oferta e da procura. Cada ecossistema, na verdade, graças a sua capacidade de carga, determina o teto de sua própria produtividade. Qualquer esforço para ultrapassar esse teto significará sempre uma sobre-exploração de recursos – muitas vezes, de forma invisível –, levando a situações como, por exemplo, a do esgotamento dos bancos pesqueiros da costa de Santa Catarina. Pode-se sintetizar a noção do desenvolvimento sustentável dizendo que se trata de uma situação em que (1) se minimiza tanto o uso da energia quanto o dos materiais da natureza, com (2) mínimos impactos ambientais e (3) simultânea maximização da satisfação (utilidade) social, tudo isso correspondendo a uma situação de eficiência máxima – de modo semelhante, a propósito, ao modelo de funcionamento da própria natureza. Com foco nessa percepção, cabe identificar o papel de cada um de nós na consecução dos objetivos que ela nos propõe. Clóvis Cavalcanti é economista ecológico Pesquisador da Fundação Joaquim Nabuco em Recife
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